(Franz Kafka) sobre Jim Morrison
O ponto ao qual Kafka se referia foi alcançado por Jim naquela noite. Metamorfoseou-se em um monstro que mesmo assim continuava a ser fascinante. Mas o que realmente o levou a se precipitar no abismo naquela noite? Decerto, a energia extra com o qual nascera ou seus próprios demônios interiores. O Dinner key auditorium estava superlotado. Eram 8 e 15 da noite e Jim não chegara na hora prevista. Robbie (o guitarrista) comentou: “será que podemos
entrar sem ele?” “de modo algum” eu disse.
Após meia-hora de tensão ele chegou. Não olhei para trás mas senti que alguém com uma vibração completamente estranha havia chegado. Percebi literalmente o caos se aproximar. O que todos chamam de carisma eu denomino de psicose! Não o encarei frontalmente, pois tinha medo daquela sinistra figura. Entramos no palco, Jim estava completamente embriagado. Começamos com Back Door Man e então Jim parou a música no meio e começou a vociferar:

“Vocês não passam de uns fodidos! Vocês vão atrás de tudo que lhes mandam, deixam ser comandados. Na verdade, gostam disso não? Acredito até que talvez apreciem enfiar a cara na merda… não passam de um bando de escravos. E o que pensam para fazer mudar tudo isso? Não estou falando em revolução. Não estou querendo fazer nenhum tipo de demonstração. Apenas falo na possibilidade de nos divertirmos. Falo sobre dançarmos, sobre fazer amor. Isso, agarre seu amigo e faça amor! Vamos! Sim! O que vocês estão fazendo? Querem ouvir música não? Não, não é isso o que vocês querem. Então está certo. Quero ver muita ação aqui. Não existem regras ou limites! Vamos lá!” Neste preciso instante o palco começou a ser invadido por uma multidão. As pessoas formavam um círculo e dançavam feericamente. Um policial e Jim trocaram os chapéus. Decidi abandonar o palco o mais rápido possível. Um segurança levou Jim para fora do palco, já completamente invadido e destruído pela multidão enlouquecida…

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